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13/03/2019

A missionária sueca perseguida no Brasil, internada em hospício e ‘esquecida’ pela História


Frida Maria Strandberg Vingren morreu aos 49 anos, no dia 30 de setembro de 1940, na Suécia, nos braços da filha. Abatida, ela pesava 23 quilos.

Frida Maria Strandberg Vingren morreu aos 49 anos, no dia 30 de setembro de 1940, na Suécia, nos braços da filha. Abatida, ela pesava 23 quilos.

No decorrer dos cinco anos anteriores, entre idas e vindas em um hospital psiquiátrico de Estocolmo, a missionária sueca perdera quase 40 quilos. Ela fora internada pela primeira vez no dia 12 de janeiro de 1935, levada da estação central da cidade, quando tentava tomar um trem que a levaria para Portugal – de onde, acredita-se, pegaria um navio de volta para o Brasil.

Casada com o sueco que fundou, em Belém do Pará, a Assembleia de Deus, Frida se tornou uma das mais importantes lideranças da igreja no decorrer dos 15 anos em que esteve no Brasil. Ajudou a construir o ministério no Rio de Janeiro, comandava um jornal e pregava em praça pública.

Suas atribuições – muitas até então reservadas apenas aos homens –, entretanto, desagradaram pastores brasileiros e suecos, fizeram com que ela fosse perseguida e pressionada a voltar a seu país de origem, onde teve um fim trágico.

história da missionária passou décadas esquecida e, nos últimos anos, vem sendo resgatada tanto na Suécia quanto no Brasil. Foi tema de livro, de tese de doutorado e voltou a alimentar o debate – atual e ainda polêmico – sobre o papel da mulher na Assembleia de Deus, a maior religião pentecostal do país, com 12 milhões de fiéis.

Belém do Pará, onde tudo começou

Frida embarcou para Belém em 1917, aos 26 anos, enviada pela Igreja Filadélfia, uma denominação pentecostal baseada em Estocolmo.

Veio para juntar-se a Gunnar Vingren, que, sete anos antes, havia fundado a Assembleia de Deus no Brasil. Eles haviam se conhecido naquele mesmo ano, quando o missionário estava na Suécia para arrecadar fundos e visitar a família.

“Ele conta a ela sobre a missão e ela se apaixona pela ideia do Brasil”, diz Valéria Vilhena, pesquisadora da Universidade Metodista, que baseou o doutorado na vida da missionária e que lança neste ano um livro sobre sua história.

Frida, Gunnar e dois filhos

 chegou ao Brasil sete anos antes de Frida, em 1910; o casal teve seis filhos

Três meses depois de desembarcar no Norte do país, ela se casa com Gunnar, em uma cerimônia realizada pelo pastor sueco Samuel Nyström, que, ironicamente, se tornaria um de seus maiores antagonistas.

No início, Frida restringe seu trabalho aos serviços sociais da igreja, tradicionalmente entregues às mulheres. Cuidar dos filhos, zelar pelos órfãos, visitar os idosos e os doentes.

A jovem ia com frequência aos centros afastados que isolavam pacientes com hanseníase do restante da população – os chamados leprosários, que surgiram no Brasil naquela época –, diz Kajsa Norell, jornalista sueca autora de Halleljua Brasilien!, lançado em 2011, que conta a história do surgimento da Assembleia de Deus no Brasil.

O marido, missionário “por vocação”, na definição de Vilhena, estava constantemente viajando, buscando expandir o trabalho da igreja. A saúde frágil fazia com que ele quase sempre voltasse para casa doente. As particularidades da região que escolheu para pregar não ajudavam: pegou malária diversas vezes.

“Ele ficava muito tempo de cama”, diz o sociólogo Gedeon Freire de Alencar, autor de Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus, 1911-2011 e um dos primeiros a redescobrir a história de Frida, no início dos anos 2000.

Com o tempo, a missionária assume cada vez mais as atribuições de Gunnar em Belém. Talentosa, ela começa a traduzir os hinos da igreja sueca para o português. Canta, toca e começa a pregar.

“Ela transforma os boletins entediantes dos missionários (publicados nos jornais da igreja sueca) em histórias incríveis. Um dos textos conta sobre a prisão que ela visitava toda semana em Belém, que mantinha 200 garotos entre cinco e 20 anos de idade, alguns que estavam ali simplesmente por não terem pai”, conta Norell, que passou meses entre os arquivos da Igreja Filadélfia, mantidos em um castelo nas redondezas de Estocolmo.

Frida com presos

Direito de imagemACERVO CPAD-CEMPImage captionFrida na escola dominical em que lecionava, em uma prisão no Rio de Janeiro

Frida passa então a bater de frente com o pastor Samuel Nyström – à frente do jornal da Assembleia de Deus, batizado de Boa Semente –, que era radicalmente contra que as mulheres pudessem pregar.

Em sua correspondência com a liderança da igreja na Suécia, Nyström passa a reclamar da missionária em toda oportunidade que lhe aparece. “Nas cartas que escrevia a Lewi Pethrus (uma das maiores figuras do pentecostalismo sueco) o tom é de fofoca mesmo: ‘Hoje ela fez isso e isso, ontem foi isso e isso'”, afirma Norell.

Em 1924, com quatro filhos, o casal Frida e Gunnar decide então se mudar para o Rio de Janeiro para fundar um novo ministério. “Eles decidem sair de Belém porque a tensão já era insustentável”, ressalta Vilhena.

 

O ministério feminino no Rio de Janeiro

Na capital carioca, Frida expande seu trabalho. Torna-se a primeira mulher da religião a dirigir uma escola bíblica dominical, fundada em uma prisão, e inicia o jornal Som Alegre, através do qual passa a defender o ministério feminino.Frida

Seus textos citam com frequência trechos da Bíblia que, em sua visão, deixavam claro que as mulheres poderiam pregar, ensinar ou doutrinar.

O comportamento desagrada também pastores brasileiros, incluindo Paulo Leivas Macalão, gaúcho, de família abastada e com tradição militar, que estava à frente da Assembleia de Deus Madureira, hoje uma das maiores do país.

“Parte dos pastores da igreja no Rio de Janeiro já não queria se submeter a sueco pobre e semiletrado. A mulher, muito pior”, acrescenta Alencar.

Ele lembra que, no início do século 20, a Suécia era um país pobre, onde a igreja luterana era a religião oficial. Perseguidos, os pentecostais migraram especialmente para os Estados Unidos. Os que vieram para o Brasil escolheram Belém porque, na época, graças à riqueza gerada pela borracha, era uma das cidades mais ricas do país.

A convenção de 1930 e o ‘enquadramento’

As tensões culminam na convocação da primeira grande convenção da Assembleia de Deus, realizada no dia 12 de julho de 1930, em Natal (RN).

“O motivo da convocação foi Frida”, destaca Isael Araújo, pastor da Assembleia de Deus em Niterói e autor da biografia Frida Vingren, lançada em 2014.

No encontro, os pastores definiram as atividades que poderiam ser desempenhadas pelas mulheres na igreja. Elas não chegaram a ser expressamente proibidas, por exemplo, de pregar – mas a atribuição não estava na lista do que as religiosas “tão somente” poderiam fazer.

“Foi um enquadramento”, acrescenta Araújo, que foi chefe do Centro de Estudos do Movimento Pentecostal (CEMP) da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD). Em todo o processo, Gunnar ficou ao lado da esposa e defendeu o ministério feminino, mas foi voto vencido.

Nos meses que se seguiram, a situação ficou pior. Frida usou seu espaço no jornal da Assembleia para desafiar as decisões tomadas na convenção e para pedir que as mulheres não recuassem. “Um dos textos dessa época tinha como título ‘Deus nos convoca para a guerra’. Era uma demonstração direta de insubordinação”, diz Alencar.

Frida Strandberg Vingren

Direito de imagemACERVO CPAD-CEMPImage captionPressionada, Frida deixa o Brasil em 1932

O clima de conflito fica claro nas cartas trocadas entre os missionários e em outros

documentos da época: “Eles (os missionários brasileiros) precisam de homens. De preferência, com as mesmas qualidades de liderança como a de Frida e Adina (Nelson, esposa de Otto Nelson), mas do sexo masculino”, escreve o pastor A.P. Franklin no jornal da igreja na Suécia, chamado The Harald.

A situação escalou depois de um suposto caso de adultério de Frida com um brasileiro. Apesar de não haver uma confirmação documental do romance que a missionária teve com o rapaz, bem mais novo que ela, os indícios levam a crer que isso de fato aconteceu.

“Eu realmente acredito que seja verdade”, diz Norell, que entrevistou um dos filhos de Frida e algumas de suas netas enquanto escrevia o livro e que identificou o assunto em cartas enviadas à Suécia “por pessoas que não eram hostis a ela”.

O pastor que era ‘uma mistura de Edir Macedo com Silas Malafaia’

A situação fica insuportável no Brasil e, em de 1932, o casal, que na época tinha seis filhos, decide retornar à Suécia. Antes de partir, contudo, eles perdem a filha mais nova – e Gunnar morre pouco tempo depois de chegar à Europa.Frida e Gunnar (esq.) foram casados pelo pastor Samuel Nyström (dir.), que viveu no Brasil com a esposa, Lina (também na foto)

Direito de imagem’HALLELUJA, BRASILIEN!’/CORTESIA KAJSA NORELLImage captionFrida e Gunnar (esq.) foram casados pelo pastor Samuel Nyström (dir.), que viveu no Brasil com a esposa, Lina (também na foto)Frida quer retomar a vida de missionária, mas a liderança da igreja no Brasil não aprova seu retorno. Na Suécia, suas aspirações também são tolhidas por Lewi Pethrus, um dos maiores líderes da igreja pentecostal no país.

Inimigo poderoso, ele era “mistura de Edir Macedo com Silas Malafaia”, define o pastor Araujo. A comparação com o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, denominação neopentecostal, e com o pastor do ministério Vitória em Cristo, ligado à Assembleia de Deus, dá conta do espírito “empreendedor” de Pethrus e de sua postura muitas vezes polêmica.

Em 1964, Pethrus fundaria o partido democrata-cristão sueco – o Kristdemokraterna (KD) –, de centro-direita.

Diante dos reiterados pedidos de Frida, o líder afirma que seu trabalho no Brasil havia prejudicado a missão e dá-lhe um não definitivo.

Ela levanta então recursos por conta própria e decide ir para Portugal.

O hospício e o esquecimento

Detida na estação de trem de Estocolmo, ela já sai com uma camisa de força em direção ao hospital psiquiátrico.

A igreja lhe tira a guarda dos filhos e doa todos os seus pertences.

Para Kajsa Norell, é difícil dizer se, naquele momento, Frida realmente tinha algum tipo de doença psiquiátrica. “Ela estava esgotada, física e mentalmente, já tinha tido malária no Brasil e, provavelmente, sofria de alguma doença na tireoide”.

Em nenhum dos prontuários médicos, contudo, há o diagnóstico de que ela sofria de algum distúrbio mental.

Frida Strandberg Vingren

Direito de imagemACERVO CPAD-CEMPImage captionFrida morreu aos 49 anos

Durante sua pesquisa, a autora percebeu “alguma coisa estranha” nos olhos de Frida. Quanto mais recente a fotografia, mais saltados eles pareciam. A partir dos registros médicos da missionária, especialistas concluíram que ela tinha possivelmente hipertireoidismo – doença que provavelmente a matou.

Para o pastor Araújo, o conflito direto com as maiores lideranças da igreja está entre as razões para o ‘esquecimento’ de Frida. Ele nega que a biografia, publicada pela editora da Assembleia de Deus, seja uma ação de reparação à missionária.

“Gunnar Vingren, o pioneiro da igreja, já tinha uma biografia. A esposa, ainda não. Não quis fazer uma biografia crítica, porque não sou sociólogo”, justifica.

Ele diz ter se deparado com a história quando trabalhava no Dicionário do Movimento Pentecostal, em 2007, e viajou à Suécia em 2008. Os diários de Gunnar e parte do acervo que estava com a família, incluindo fotos, hoje se encontram no Brasil.

Na Suécia, a Igreja Filadélfia foi confrontada com a trajetória de Frida quando o livro de Kajsa Norell foi lançado.

“Aquilo era uma novidade completa para nós”, diz Gunnar Swahn, que foi secretário de missões da Igreja Filadélfia até recentemente, quando se aposentou. “Foi horrível o que fizeram com ela. Muita gente ficou chocada com a forma como ela foi tratada pelas antigas lideranças”.

O livro, ele acrescenta, se soma a outras obras publicadas nos últimos anos na Suécia que revelam traços e atitudes polêmicas de Lewi Pethrus, em relação ao qual a igreja tem hoje uma postura crítica. “Digamos que ele não é idolatrado pelos fiéis, apesar de ainda ser uma figura importante”.

Igreja Filadélfia, em Estocolmo

Direito de imagemSIMEON HAGSTRÖM/CORTESIAImage captionA Igreja Filadélfia, que mandou Frida para o Brasil, tem hoje visão bastante crítica em relação a Lewi Pethrus, um dos maiores líderes da denominação e poderoso inimigo da missionária

Questionado sobre as mulheres, se elas hoje podem ser pastoras, ele se apressa: “Ah, sim! Nós gostamos de pensar que somos uma igreja progressista.”

A BBC News Brasil não teve retorno da Assembleia de Deus Belém sobre o pedido de entrevista e não conseguiu contato com a Assembleia de Deus Madureira, no Rio de Janeiro.

A Assembleia de Deus e as mulheres

As mulheres têm ganhado cada vez mais espaço dentro das Assembleias de Deus no Brasil, diz Alencar. Essa tendência, contudo, é bastante assimétrica nas diferentes regiões do país, justamente pelas características da religião.

Ao contrário da Igreja Católica, bastante hierarquizada, sua estrutura é congregacional. “É como se fosse uma democracia direta”, compara o sociólogo. Cada congregação define suas liturgias, “tem lugar que aceita mulher, tem lugar que não aceita”.

Em 2005, ele exemplifica, o pastor Manoel Ferreira – filiado ao PSC e presidente da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil – Ministério de Madureira (Conamad) –, ao consagrar Jairo Manhães como pastor, acabou consagrando, sem aviso prévio, sua esposa, Cassiane – “cantora gospel de sucesso e milionária”.

Depois disso, afirma Alencar, todas as esposas de pastores do ministério de Madureira também foram ordenadas como pastoras. “Já a minha igreja, a Betesda, consagra pastoras desde 1994”, ele acrescenta.

Fonte: BBC Brasil

23/12/2011

Pastor Geremias do Couto explica a proposta da Terceira Via na CGADB


Pastor Geremias do Couto explica a proposta da Terceira Via na CGADB

Quando a proposta “Terceira Via CGADB” surgiu parecia apenas uma maneira de despolarizar a rotineira disputa entre o pastor José Wellington Bezerra da Costa, atual presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil (CGADB) e o pastor Samuel Câmara, presidente da Igreja Assembleia de Deus do Pará – igreja mãe. Mas aos poucos a proposta ganhou proporções cada vez maiores e acendeu a curiosidade de muitos pastores.

Entre outras coisas, a proposta parece resolver alguns algozes da Assembleia de Deus no Brasil, como o desgastes entre a Igreja Mãe e a CGADB, além da relação cada vez mais distante com a CONAMAD, do Bispo Manuel Ferreira, recentemente criticado por seu envolvimento com o reverendo Moon. Além de regularizar o trabalho da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).

Mas muitas das propostas do projeto “Terceira Via” levantaram dúvidas sobre o real interesse dos fundadores, principalmente pelo fato de não ter sido apresentado um possível terceiro nome a candidatura da CGADB, como também o fato de alguns pastores olharem com desconfiança para a proposta em questão.

Vários nomes são recomendados por membros e pastores da Assembleia de Deus, entre eles Antonio Gilberto, Elinaldo Renovato, Elienai Cabral, Joel Holder, Antonio Dionízio, Esequias Soares, Claudionor de Andrade, Nestor Henrique, Virgínio José de Carvalho Neto, Anísio do Nascimento, Perci Fontoura.

Na proposta, a Terceira Via vai receber o nome dos indicados e em hora oportuna se reunirá para escolher o representante que irá disputar a eleição com os outros candidatos. Durante a campanha ela também fiscalizará os comportamentos eleitorais de cada candidato e, caso seja necessário, irá denunciar nos fóruns competentes todo e qualquer abuso que se verificar na busca de votos, trazendo, inclusive, ao conhecimento público.

O correspondente Michael Caceres entrevistou o pastor Geremias do Couto, um dos fundadores deste projeto. Leia a entrevista na integra:

A proposta da Terceira Via é de se ter um terceiro nome para concorrer a presidência da CGADB. Como seria a seleção deste terceiro nome?

A terceira via é uma proposta, antes de ser um nome. Embora seja importante saber quem vai representá-la, é extremamente vital que os pastores associados à CGADB conheçam bem os pontos que a Terceira Via propõe e compreendam a sua viabilidade para que possamos sair dessa “camisa de força” imposta por duas candidaturas já polarizadas há duas eleições. O nome que virá encabeçá-la surgirá, no tempo certo, por um processo natural à medida que as conversas forem sendo aprofundadas e os nossos pastores estejam seguros de que a Terceira Via não é mais do mesmo. Temos até o dia 31 de outubro de 2012 para definir todos os procedimentos.

Muitos pastores da AD preferem não comentar o tema, enquanto outros tantos aprovam o projeto. Como tem sido a repercussão do projeto Terceira Via?

A recepção tem sido a mais propícia possível. A partir do momento em que uma convenção estadual aprova moção de apoio ao atual presidente e cita entre os seus argumentos a Terceira Via, isso demonstra que ela não é vista como bolha de sabão, mas como possibilidade viável e sólida de conquistar espaços por falta de alternativa à polarização existente. Embora muitos líderes prefiram não comentar o tema em público, eles têm sido muito abertos, simpáticos e mostram bastante interesse no fortalecimento da Terceira Via.

A disputa entre José Wellington e Samuel Câmara desgastou a relação entre a CGADB e a Igreja-Mãe. Acredita que o projeto Terceira Via solucionaria este desgaste?

A Terceira Via não resolverá nada da noite para o dia. No entanto, uma de suas cláusulas pétreas será não permitir que interesses pessoais, políticos ou eclesiásticos se sobreponham aos interesses do Reino. Ou seja, no que depender dela a Igreja-Mãe e sua liderança serão tratados com a distinção que merecem tanto quanto o atual presidente e o seu ministério. A Terceira Via nasceu com a missão de reconstruir os muros e não derribá-los.

Tiveram a oportunidade de conversar com o pastor José Wellington ou com o pastor Samuel Câmara sobre o tema?

Estamos sempre abertos ao diálogo, mas em relação à Terceira Via ainda não conversamos. Mas se houver qualquer conversa, não aceitaremos qualquer hipótese de cooptação, pois estaríamos negando todos os valores embutidos nas propostas que a Terceira Via apresenta. Uma coisa posso lhe afirmar com certa segurança: nas eleições de 2013 é muito provável que a eleição para presidente vá pela primeira vez para o segundo turno.

Nas propostas no blog Terceira Via, especificamente na quarta proposta, é citado um comportamento inadequado “de certos pastores”, nas assembleias. O texto está se referindo as discussões entre José Wellington e Samuel Câmara?

Essa frase, referindo-se a comportamento de “certos pastores” nas assembleias, precisa ser compreendida no contexto em que foi escrita. Em primeiro lugar, somos exemplo, modelo, para aqueles aos quais lideramos. Somos também responsáveis por ensiná-los e os conscientizamos para que tenham comportamento responsável em tudo, inclusive no trato cordial uns para com os outros.

O que ocorre, como lá está escrito, é que pregamos, mas nós mesmos muitas vezes não praticamos. Isso vale para todos nós, inclusive os líderes mencionados acima. Queiramos ou não, é desconfortável para os assembleianos assistir ao vídeo que foi espalhado pelo Brasil através do You Tube em que os dois se altercam e um deles afirma que foi criado com “leite de cabra”, com um sentido sem a menor necessidade.

O blog também menciona que há diferenças na administração eclesiástica em todo Brasil. Acredita que a CGADB poderia controlar o interesse de toda a AD?

Geremias Couto – Como está bem claro nas propostas, a primeira medida de Terceira Via, logrando êxito, será convidar os presidentes de convenções estaduais e outros líderes nos próximos 30 dias para a oração, palavra e discutir o programa de ação da nova gestão para os próximos quatro anos, com prazo de validade.

Quanto à estrutura assembleiana, temos um sistema híbrido, já arraigado, que não se muda de uma hora para a outra. Por outro lado, a Terceira Via não deseja desconstruir o que já está construído. Mas é preciso um mínimo de ordenamento, que começa com pequenas mudanças, às quais gerarão credibilidade para mudanças mais profundas. Portanto, é um projeto de curto, médio e longo prazo, o qual dependerá muito da coesão entre as lideranças, num processo contínuo, e da credibilidade da Mesa que estiver na liderança da CGADB.

Quanto a CPAD, houve acusações de que uma e outra parte estariam interessados nos recursos da editora. Qual a proposta do Terceira Via para regulamentar o órgão?

O que podemos afirmar, sem nenhuma sombra de dúvida, é que a CPAD não pode servir a nenhum sistema político-eclesiástico, no sentido de atender os interesses desse sistema e, por consequência, beneficiá-lo, seja ele qual for. Por outro lado, a editora existe para servir às Assembleias de Deus e não servir-se dela. Reconhecemos as conquistas da CPAD até o presente momento, mas percebemos alguns desvios em seus propósitos.

Sem dúvida a Terceira Via terá um compromisso muito forte de fazer com que a entidade volte a ser de fato das Assembleias de Deus até porque ela não tem fins lucrativos. Um dos nossos alvos será valorizar, para valer, o autor nacional, inclusive os comentaristas de Lições Bíblicas, para que tenhamos cada vez mais material de qualidade produzido entre nós.

No âmbito institucional, acredita que a CGADB não exerce uma função ativa?

A CGADB, hoje, é muito passiva, inclusive na hora de reagir às grandes questões nacionais. Ela é uma máquina muito pesada, que pouco funciona, com conselhos que não dispõem de estrutura e recursos para atender os seus objetivos. Por outro lado, o associado paga uma anuidade, mas a CGADB não lhe presta nenhum serviço que possa ajudá-lo no desempenho do seu ministério.

A Terceira Via acredita que pode começar com coisas bem básicas, às quais não convém comentar aqui, que certamente farão da CGADB uma organização ativa e trarão um novo ânimo aos seus associados.

Caso a proposta seja aceita pela maioria dos pastores, qual será o papel do blog a partir de então?

O blog, como propulsor da proposta da Terceira Via, também tem prazo de validade. Ele encerra as suas atividades no exato momento em que a candidatura que vier a representá-la for registrada na CGADB. A partir daí, já com os nomes da chapa oficializados, se terá uma estrutura própria, oficial, para chegar aos pastores com a mensagem da Terceira Via já oficializada, que poderá incluir também um blog.

Com base neste projeto e em uma visão espiritual do Reino de Deus, é possível que haja entendimento entre CGADB, Igreja Mãe e o Ministério de Madureira?

Embora eu seja uma pessoa frágil, com as ambiguidades naturais a todos os seres humanos, sou uma pessoa idealista. Não posso prever o futuro, mas posso afirmar uma coisa: a chapa que vier a representar a Terceira Via nunca se negará a que se tenha entendimento entre a CGADB, Igreja-Mãe e o Ministério de Madureira, tendo em vista os valores do Reino de Deus.

Confira mais informações em www.terceiraviacgadb.com.br

27/04/2011

Após ação por prestação de conta ser extinta, pastores entram com representação criminal contra CGADB


Após ação por prestação de conta ser extinta, pastores entram com representação criminal contra CGADBPastores membros da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil entraram com um processo no Ministério Público do Rio de Janeiro pedindo a prestação de contas da instituição.

Entre a lista de pedidos de investigação estão: balanços, registros, relatórios financeiros, pareceres do Conselho Fiscal, receitas e despesas, locações, gastos em congressos, pagamentos de viagens e hotéis, envio de dinheiro ao exterior, pagamentos de 40 cheques, com valores de R$ 192 mil (o maior), R$ 60 mil, R$ 40 mil e R$ 30 mil (o menor), registros contábeis de transferências de verbas da CPAD à CGADB e muitos outros.

A Representação Criminal MPRJ 201100408114 foi protocolada nesta segunda-feira, 25, na Promotoria de Justiça do 7º Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Investigação Penal do Rio de Janeiro e foi assinada por membros pertencentes às regionais da Confradesp, Comaderj, Ceader, Confrateres, Ceadam, Cieadep e Cemiadap.

Os membros citados já haviam processado a CGADB NA 4ª Vara Cível de Madureira, mas o processo de número 00164998420108190202 foi extinto pela juíza Andréia Magalhães de Araújo, no dia 31 de março e em sua sentença, ela deixou claro outros caminhos que deveriam ser buscados para que houvesse a investigação de prestação de contas.

A Representação Criminal pede investigação do Ministério Público nas contas da CGADB desde 2004 assim como cita o presidente e de todos os membros da mesa diretora.

O texto afirma que o pastor presidente galgou o cargo em “diversas reeleições, algumas ocorridas sob a sombra de graves denúncias” e que “vem sendo acusado de atuação irregular da gestão” da administração “do patrimônio, das receitas e dos recursos da própria CGADB e CPAD”.

Os autores tentaram de muitas formas obterem essas informações, mas não tiveram repostas. Eles pedem também ao MP a “deflagração de investigação penal, inclusive com busca e apreensão imediata de documentos e computadores”, com vistas ao impedimento de ocultação de provas.

Daí o pedido de investigação dos possíveis ilícitos penais, com o desvio de finalidade, benefício próprio e de terceiros, ilícitos fiscais e tributários, violação da Lei 9.613-98 (Dispõe sobre os crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei…) e crimes contra a fé pública.

Possíveis ilícitos e fontes listados a serem investigados:

– Balanço de encerramento nas datas de 31 de dezembro, dos anos de 2004 a 2009;

– Livros diários e registros (Registro Civil das Pessoas Jurídicas);

– Demonstração analítica de resultado; demonstrações de fluxo de caixa e de patrimônio líquido de 2004 a 2009;

– Atas de análises e aprovações do Conselho Fiscal de 2004 a 2009;

– Relatórios financeiros; registros e históricos com a identificação de participantes, pagamentos de congressos em 2005, 2007 e 2009, e outros registros;

– Receita de locação de espaço; contratos de locação; receitas e despesas de viagens (passagens e hotéis) por meio da empresa de turismo (com nome citado) em 2005, 2007 e 2009, além de cotações de preço;

– Financiamentos fora do sistema financeiro e atas de aprovação de tais operações;

– Pagamentos de cerca de 40 cheques (com lista de cheques e respectivos bancos, número de contas, datas e valores de cada um), com valores de R$ 192 mil a R$ 30 mil;

– Envio de valores para o exterior;

– Emissão de cheques sem fundos;

– Verificação de declarações de IR;

– Recolhimento de obrigações sociais nos últimos 5 anos e seus trâmites;

– Registros contáveis de transferências de valores convencionais da CPAD;

– Registro do pagamento de anuidades e inscrições de convencionais por meio de empresa terceirizada (com citação do nome da mesma), sua contratação, custos e impostos.

Fonte: Gospel Prime  /Fronteira Final

16/04/2011

Convenção Geral da Assembleia de Deus aprova novo casamento de pastor divorciado, em caso de infidelidade


Convenção Geral da Assembleia de Deus aprova novo casamento de pastor divorciado, em caso de infidelidade Divórcio para ministros do Evangelho, membros da CGADB só poderá ocorrer em caso de infidelidade conjugal. E dessa forma, o mesmo poderá contrair núpcias novamente.

“O ministro vítima de infidelidade conjugal… poderá contrair novas núpcias, respeitados os princípios bíblicos, que norteiam a união conjugal”, conforme estabeleceu o Senhor, em Mateus 5.31-32 e 19.9 (“Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe carta de desquite. Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério”; “Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério”). Porém, cada caso deve ser definido pelas convenções regionais, dentro dos termos acima aprovados.

Esta decisão deverá regularizar a situação de ministros na situação. No caso de divórcio provocado por iniciativa da esposa, com base em 1Coríntios 7.15 (“Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não esta sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz”), o ministro poderá permanecer ou não na função ministerial, a depender da convenção regional, da qual é filiado, mas com todo o direito de defesa, com condições de recorrer à mesa diretora da CGADB.

O artigo 3º permaneceu intacto: a “CGADB não reconhece, no âmbito da vida ministerial de seus membros, a situação de união estável”.

Quanto ao pastor, membro da CGADB, “que acolher ministro divorciado, sem a observância do disposto na presente Resolução, será responsabilizado disciplinarmente, no âmbito desta Convenção Geral”.

Fonte: Fronteira Final

14/04/2011

Confira como foi a abertura da 40ª Assembleia Geral Ordinária da CGADB


Cerca de 10 mil pessoas participaram do culto de abertura da 40ª Assembleia Geral Ordinária (AGO) da Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB), realizado ontem à noite no Grande Templo da Assembleia de Deus em Cuiabá (MT). O conclave deste ano conta com mais de 3 mil inscritos, sendo cerca de 2,7 mil ministros da CGADB, além de centenas de irmãs que se inscreveram e vieram à capital mato-grossense para participar das reuniões da União Nacional de Esposas de Ministros das Assembleias de Deus (Unemad), presidida pela irmã Wanda Freire Costa e que ocorre no templo da AD no bairro de Alvorada.

Na abertura, a Grande Banda de Cuiabá, formada de 400 componentes de diversas congregações da cidade, executou o Hino Nacional. Na sequência, a Banda da Polícia Militar executou o hino do Estado. Louvaram ao Senhor a orquestra da AD em Comodoro (MT), o grupo da Capelania Hospitalar, o coral do Círculo de Oração do Grande Templo e os cantores da Patmos Music Victorino Silva, Lilia Paz, Marcelo Santos e Alice Maciel.

Marcaram presença na reunião de abertura autoridades e parlamentares, entre eles o governador do Mato Grosso, Silval Barbosa, que agradeceu a Deus e a AD pelo apoio; e o general da 13ª Brigada, João Batista Carvalho Bernardo, que afirmou sentir-se honrado em participar do evento. Participaram também outras autoridades e políticos da região.

O pastor Sebastião Rodrigues de Souza, líder da AD no Mato Grosso, dirigiu o culto. O pastor Arcelino Victor de Mello, líder da Convenção das ADs em Santa Catarina, fez a leitura oficial da noite, em Salmos 100. Após louvores, o pastor Sebastião passou a direção do culto para o pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da CGADB, que saudou a igreja e apresentou alguns visitantes, dentre eles o pastor Thomas Trask, ex-superintendente do Concílio das ADs nos Estados Unidos e ex-presidente do Comitê Mundial das Assembleias de Deus.

O pastor José Wellington pregou com base em Atos 17.6b – “Estes que têm alvoroçado o mundo chegaram bem aqui” –, enfatizando em sua mensagem que “o mesmo alvoroço santo provocado pela Igreja Primitiva chegou ao Brasil há cem anos e ao Estado de Mato Grosso”. Houve fervor espiritual.

O culto se encerrou às 21h30. Hoje, a partir das 8h30, os pastores começaram um período de oração de meia hora no Grande Templo. Às 9h, teve início a primeira sessão convencional. Enquanto isso, também às 9h, no templo da AD em Alvorada, as irmãs da Unemad começaram as suas reuniões.

Fonte: CPAD News

24/02/2011

Morre em Curitiba,Pr. José Pimentel, um dos grandes nomes da Assembléia de Deus no Brasil


A vida do pastor José Pimentel de Carvalho, que nasceu em 8 de fevereiro de 1916, sempre esteve ligada ao ensino da Palavra de Deus. Quando se converteu, aos 14 anos, foi incumbido de ensinar a Bíblia Sagrada para os demais, por ser a única pessoa na sua congregação que sabia ler.

Morreu na manhã de hoje (24), aos 95 anos, o pastor José Pimentel de Carvalho, líder da Assembleia de Deus em Curitiba (PR) e um dos grandes nomes das Assembleias de Deus no Brasil, tendo, inclusive, presidido a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), órgão máximo da denominação no país, nos anos 60, 70 e 80.

A vida do pastor José Pimentel de Carvalho, que nasceu em 8 de fevereiro de 1916, sempre esteve ligada ao ensino da Palavra de Deus. Quando se converteu, aos 14 anos, foi incumbido de ensinar a Bíblia Sagrada para os demais, por ser a única pessoa na sua congregação que sabia ler. 

Ele foi consagrado pastor em 18 de maio de 1945. Pastor Pimentel chefiou o Departamento de Escola Dominical da CPAD por oito anos, e foi responsável pela criação das primeiras lições bíblicas para crianças. 

Presidiu a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) em seis mandatos e a presidência da Convenção das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus do Estado do Paraná (Cieadep) por vários mandatos, além de ter fundado o Instituto Bíblico das Assembleias de Deus no Paraná e a Associação Educacional do Paraná. 

Durante um culto realizado em uma fazenda na cidade onde morava, quando o então adolescente José Pimentel era mais uma vez o pregador da noite, ele lia o capítulo 25 do Evangelho de Mateus enquanto, do lado de fora, uma turba mandada pelo fazendeiro, que se opunha aos pentecostais, ficou a observá-lo. 

Pastor Pimentel casou em 24 de maio de 1938 com Rosa Maria da Conceição (já falecida), com quem teve 9 filhos. No Rio de Janeiro, pastoreou as ADs em Cordovil e Penha, ambas na zona norte da capital fluminense. Liderou ainda a AD em Cabuçu, Itaboraí, no interior do Estado. 

Em 1962, a convite do pastor Agenor Alves de Oliveira, assumiu a presidência da AD em Curitiba (PR). Presidiu a CGADB de 1964 a 1966, de 1973 a 1975, de 1975 a 1977, em 1977 mais uma vez, de 1981 a 1983 e de 1985 a 1987. Chegou ainda a ser secretário da CGADB por oito anos consecutivos. Desde 2006, é presidente de honra da Convenção das ADs no Paraná (Cieadep). Ele é também autor de dois hinos da Harpa Cristã, hinário oficial da denominação: os hinos 541 (“Calvário, Revelação do Amor”) e 620 (“Na Jornada para o Céu”). 

Pimentel termina a sua carreira com milhares de vidas conquistadas para Jesus, um ministério aprovado por Deus, 81 anos de vida com Jesus e 66 anos de profícuo ministério pastoral. Como Paulo, pode dizer: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé; espera-me agora a coroa de justiça que receberei das mãos do meu Senhor”. 

Fonte:  CPAD News
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