Posts tagged ‘Crack’

29/11/2011

Da Cracolândia para o Coral da Cristolândia


Da Cracolândia para o Coral da CristolândiaDependente de LSD e de todo tipo de psicotrópico desde jovem, Ailton da Silva Ferreira, de 52 anos, que já tinha chegado ao crack, considera-se recuperado há dois anos. Francis Almeida, de 36, que foi da maconha à cracolândia em uma década, também conta uma história de final feliz. Hideraldo Pussick Laval, de 34, entrou no vício há três anos, recém-chegado de Guiné-Bissau, e se diz “limpo” há 1 ano e 8 meses.

Os três fazem parte do Coral da Cristolândia, conjunto formado por 200 ex-viciados recolhidos na cracolândia, centro de São Paulo. Sob a batuta do maestro Roberto Minczuk, regente titular da Orquestra Sinfônica Brasileira, eles apresentam amanhã o Coral das Luzes na Praça Princesa Isabel, também no centro.

O programa de recuperação de viciados é uma iniciativa da Primeira Igreja Batista de São Paulo, cujo templo fica na própria praça, a menos de 500 metros da cracolândia. Livres das drogas, Ferreira e seus companheiros se dizem agora “viciados em Jesus”. Eles enchem os pulmões para cantar em altos brados versos como “Senhor, eu sou livre para te adorar”.

Muito agradecido à Igreja, que tem 3 milhões de cristãos no Brasil, Laval diz que, em seu tempo de cracolândia, a Prefeitura não fazia “nada de representativo para recuperar os viciados”. “Passavam expulsando a gente.”

O maestro Minczuk, que é evangélico, acredita que sua participação no concerto “é pequena, em comparação com o resgate de vidas que os voluntários vêm realizando”. “Sou paulistano, moro na Praça Roosevelt, no centro da cidade, e estou muito próximo da realidade dura dos viciados em crack.”

‘Radicais’. Soraya Machado, de 46 anos, coordenadora do projeto, explica que trabalha com um grupo de 14 “radicais”, como são chamados os jovens voluntários de todo o País que vão à cracolândia tentar recuperar viciados. “Primeiro, nós os atraímos para um café da manhã. O alimento é uma ferramenta importante”, diz ela, que estima em 300 o número de ex-viciados que hoje são fiéis da Igreja, 80% deles homens.

Entre o café, a recuperação em clínicas parceiras e reabilitação social dos ex-viciados, o pastor Paulo Eduardo Vieira, de 48 anos, presidente da Igreja, diz que já foi gasto R$ 1 milhão. Não há colaboração de órgãos públicos. “São só donativos de fiéis”, conta.

Saiba Mais:

Missão Cristolândia atua retirando viciados do mundo das drogas

 

Fonte: Estadão/ CPADNews

01/06/2011

“Maconha é o Jardim de Infância do Crack”, afirma Deputado Ismael dos Santos


“Maconha é o Jardim de Infância do Crack”, afirma Deputado Ismael dos SantosMuitos participaram da Marcha da Liberdade e da Maconha realizada em diversos estados do Brasil neste fim de semana, que teve inicialmente a intenção de promover a legalização da maconha, sob o lema da liberdade de expressão. é o povo brasileiro consciente da realidade das drogas no Brasil? O que pensam os Cristãos?

O fundador do Centro Terapêutico Vida, em Blumenau e Balneário Camboriú, em Florianópolis, Ismael dos Santos (DEM), explicou o porquê de não se legalizar a maconha no Brasil.

Tentando proibir a Marcha da Maconha que ocorreria no sábado, em Florianópolis, Ismael que é deputado estadual em Santa Catarina disse que “não se pode confundir o uso do espaço público para fazer apologia ao consumo de drogas, com direito a liberdade de expressão.”

Segundo ele, a marcha é em defesa da droga que provoca efeitos psíquicos agudos evidentes, com predominância de delírios e alucinações, e já foi proibida em diversos estados.

Em uma entrevista à Notícias do Dia, ele disse sobre os manifestantes que, “quando evocam a liberdade de expressão, eles encobrem a real finalidade da marcha, que é disseminar e fazer apologia da droga.”

Quando perguntado se o consumo da maconha empurra o usuário para outras drogas, ele confirmou dizendo “temos visto que a cada 10 internos, sete se envolvem no mundo de drogas pesadas. Para mim, a maconha é o jardim de infância do crack.”

Ele não vê incoerência em ir contra a marcha da maconha como liberdade de expressão, sendo filiado à um partido político que é contra a interferência do Estado na vida do cidadão porque, “essa liberdade não pode vir em detrimento da saúde e segurança da sociedade.”

Na opinião do deputado, que é ligado à Assembléia de Deus, a proposta de descriminalização da maconha representa uma “tragédia.” Ele cita o caso de Amsterdã, na Holanda, em que segundo ele, o centro da cidade, onde era permitido consumir drogas acabou virando uma favela.

Para concluir ele disse que o argumento de que a liberação da maconha vai acabar com o tráfico não é válida, “Os traficantes vão inventar outra droga. Está ai a nova droga, oxi, mais devastadora que o crack.”

No estado de Santa Catarina, ele apresentou um requerimento para a criação da Comissão Parlamentar de Combate às Drogas. Segundo ele, “apenas com o conhecimento do problema será possível uma ação estatal eficiente, que produza resultados capazes de evitar que mais famílias sejam destruídas.”

“Chegou a hora do estado tratar do problema de forma séria, investindo com eficiência. A luta contra as drogas precisa ser prioridade na agenda estatal,” declarou o parlamentar.

Fonte: The Christian Post

 

24/05/2011

Pastores visitam Cristolândia


Pastores visitam Cristolândia Pastores de Recife visitaram a Missão Batista Cristolândia em São Paulo. Jades Júnior, da Igreja Batista Imperial, e Joel Bezerra, da Primeira Igreja Batista do Recife e presidente da Convenção Batista de PE, foram acompanhados pelo coordenador de Missões Nacionais para o Pernambuco, pastor Marcos Azevedo. A visita à Cristolândia paulista coincide com a fase de preparação do Radical Cracolândia em Recife, projeto de evangelização que já tem inscrições abertas no site da JMN.

Assim que chegaram à Missão, no período da manhã, os pastores participaram das primeiras atividades da Cristolândia. Pastor Joel Bezerra pôde levar uma palavra em culto direcionado aos marginalizados, quando dezenas de pessoas foram à frente durante o apelo por um maior relacionamento com Deus, deixando para trás as drogas e a situação degradante em que se encontravam. Em seguida, os pastores ajudaram a servir o café da manhã e aproveitaram para compartilhar a Palavra durante a refeição. Às 12h, outro culto foi iniciado, contando com a participação do pastor Jades Júnior, como o pregador da ocasião.

Os visitantes da Cristolândia também conheceram o trabalho realizado com as crianças que residem na região da cracolândia. Conhecido como Novos Sonhos, o projeto atende menores vulneráveis socialmente por meio de atividades artísticas, esportivas e educacionais. Os pastores ficaram maravilhados com a dedicação das crianças que, naquele momento, participavam das aulas de balé.

Na quinta feira, o grupo seguiu para o Centro de Formação de Vida Cristã, localizado na região de Bauru. Lá, foram apresentados aos mais de 40 internos que estão se dedicando ao aprendizado do evangelho.

De volta à cidade de São Paulo, o grupo caminhou pelas ruas da cracolândia durante a noite. “O que vejo aqui, é um retrato claro do inferno. Nunca imaginei que fosse assim. Sempre via pela televisão, mas confesso que fiquei chocado com o que vi. O que me alegra é ver a missão Batista Cristolândia fazendo a diferença nesse local”, comentou pastor Joel, que parabenizou os missionários e voluntários radicais pela qualidade e dedicação ao trabalho com marginalizados.

Mudar a realidade das cracolândias brasileiras é um grande desafio para os batistas brasileiros. Você pode ajudar a impedir o progresso das trevas, inscrevendo-se para o Radical Recife. Acesse a página do projeto e faça parte da equipe de radicais que levarão esperança aos marginalizados da capital pernambucana.


Fonte: JMN

11/04/2011

Força Jovem Organiza Caminhada contra o Crack


O grupo Força Jovem Brasil, da Igreja Universal do Reino de Deus do Piauí, organizou no último dia 27, uma caminhada contra o crack prestando esclarecimentos por meio de palestras para alertar a sociedade sobre os riscos dessa droga.

O evento aconteceu na Vila Coronel Carlos Falcão, no bairro Dirceu Arcoverde, zona Sudeste da capital Teresina, e teve  apresentações de dança e de teatro, juntamente com a Banda Força Jovem.

Os jovens da igreja também organizaram palestras com o delegado que comanda a Delegacia Especializada de Prevenção e Repressão ao Tráfico de Entorpecentes no Estado (DEPRE), Samuel Silveira e a professora Zita Vilar, secretária executiva da Câmara Estadual de Enfrentamento ao Crack e outras drogas.

Esse evento foi montado com o intuito de mostrar que é possível ser feliz sem usar drogas. O que motivou a Força Jovem a sair nas ruas foram os dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) que divulgou que no Brasil há cerca de 1,2 milhão de usuários de crack e que a idade média para início do uso da droga é de 13 anos.

“O jovem pode ser feliz sem drogas. Por isto estamos fazendo este trabalho em todo o estado, oferecendo aos jovens que estão em situação de vulnerabilidade, esporte, cultura e lazer” explica o pastor Adelmo José que é coordenador do projeto Força Jovem do Piauí.

Dentro do grupo de jovens há um testemunho de uma pessoa que era usuária de drogas e hoje está liberta. Fernanda Alves, de 30 anos, que hoje trabalha como secretária, conta que conheceu as drogas com 15 anos e até foi expulsa de casa passando a morar nas ruas.

“Eu comia o que encontrava no lixo dos prédios e, quando lúcida, passava o dia no cemitério, pois era atraída pela morte. Achava que se eu morresse, encontraria a paz, tanto que tentei o suicídio várias vezes”, conta.

Ela viveu por muito tempo no submundo das drogas, do roubo e nas ruas. Mas, um vizinho que acompanhava o sofrimento de Fernanda, a convidou para participar de uma reunião do Força Jovem e ela aceitou.

“Hoje, graças a Deus estou livre dos vícios e transmito, mesmo sem falar uma palavra, a felicidade que procurei em diversos lugares. Minha vida é totalmente dedicada a salvar almas, jovens perdidos como eu estive um dia, enfim, vivo dignamente: tenho meu trabalho, um lar e uma família sem brigas”, finaliza.

Fonte:  Arca Universal

10/02/2011

Em meio ao crescente drama do crack, igrejas evangélicas surgem como luz no fim do tunel


Em meio ao crescente drama do crack, igrejas evangélicas surgem como luz no fim do tunel

Sexta-feira, dez horas da noite. Em ruas semidesertas da maior cidade brasileira, homens, mulheres e crianças disputam as sarjetas e calçadas com ratos e sacos de lixo. O movimento é intenso e a variedade de tipos humanos, também; vestidos com farrapos ou roupas da moda, dezenas de pessoas negociam freneticamente cigarros, cachimbos, estiletes, comida com validade já vencida e, principalmente, pedrinhas de crack. A cena se passa na região da Luz e Santa Ifigênia, em São Paulo, mas se repete todas as noites – e à luz do dia, também – tanto nas grandes cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Brasília e Salvador, como em pequeninas localidades. Sim, o crack é hoje problema de saúde pública de dimensão nacional, uma chaga que assusta a sociedade, preocupa o governo e destrói mentes e corações.

Droga de preço acessível mesmo a miseráveis – pode-se conseguir uma dose por um ou dois reais –, o crack é feito de sobras do refino da cocaína misturadas com outras substâncias químicas como bicarbonato de sódio e amônia. Chegou ao Brasil no final da década de 1980 e nos últimos cinco anos tem feito um verdadeiro arrastão pelo país. O Ministério da Saúde já o considera problema de saúde pública. De acordo com dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), quase 200 mil brasileiros estão viciados. A maioria deles começou a consumir “a pedra”, como é chamado o crack, entre os 13 e 26 anos. Enquanto se lê esta reportagem, boa parte deles estará consumindo o entorpecente ou tentando arranjar algum dinheiro para comprá-lo, seja vendendo alguma coisa de casa, endividando-se com traficantes ou simplesmente roubando.

Se o quadro já parece alarmante, as imagens e histórias de quem é dependente só reforçam a dramaticidade da situação. Tatiele não aparenta ter 29 anos. É miúda e magrinha, tem o cabelo curtinho, mãos trêmulas e fala acelerada. Há quatro meses, saiu de Campinas, no interior de São Paulo, deixou os dois filhos com a mãe e está morando na Cracolândia paulistana. “Não queria estar nessa vida, mas a pedra prende a gente de tal forma que, depois de uma semana usando, você já está completamente dependente”, desabafa a moça. Aos 12 anos, ela começou a fumar maconha, e logo partiu para a cocaína. “Isso não é vida”, faz coro Érica, que desde os 16 mora nas ruas do centro de São Paulo. Hoje, tem 28 anos, seis passagens pela polícia por furto, hematomas pelo corpo todo e uma cortante solidão. “Minha mãe e irmã morreram”, conta. “Não tenho amigos, nem sequer uma pessoa em que possa confiar”, diz, deixando as lágrimas escorrerem pelo rosto.

Farrapos humanos como Érica perderam completamente a esperança em determinado momento da vida. Mas enquanto aguarda para tomar banho nas dependências de uma instituição mantida por evangélicos, ela tem ao menos algum alento. “Deus nos faz nova criatura”, brada o pastor Humberto Machado para um público de mais ou menos 50 pessoas, entre dependentes químicos, homossexuais, sem-tetos e também obreiros, em sua maioria ex-viciados. Três cachorros alertas até parecem também entender a mensagem. O culto é o primeiro dos três que acontecem diariamente na igreja, que oferece também alimentação, banho e roupas, e foi montada em um salão da Rua Barão de Piracicaba, um dos braços da Cracolândia. “Começamos esse projeto na Primeira Igreja Batista, mas Deus colocou em nosso coração que era preciso estar mais perto para transformar essa realidade” conta Ricardo, o obreiro responsável pelo espaço. Ele deixou as drogas em 2008, e a fé teve papel fundamental em sua recuperação. “Eu quero que as pessoas tenham acesso a essa liberdade e paz que eu sinto hoje”, diz.

Envolvimento

A Cristolândia, como é chamado o projeto, em um mês de funcionamento enviou 30 pessoas para casas de reabilitação. O número parece pequeno perto do tamanho do problema, mas, só para ter uma idéia, a Prefeitura de São Paulo, após mais de oito meses de atuação intensiva na região – com a Ação Integrada Centro Legal –, conseguiu encaminhar apenas 190 pessoas para internação. “Não adianta colocar agente de saúde, polícia ou assistente social, gente que só está aqui para cumprir protocolo. É preciso envolvimento”, afirma a missionária Nildes Nery, que há cinco anos saiu de Salvador (BA) com marido e duas filhas para morar e resgatar vidas na Cracolândia, através do Projeto Retorno. Distribuindo lanches duas noites por semana e oferecendo, além de auxílios básicos, carinho, a pastora do Ministério Quadrangular conquistou o afeto e confiança dos moradores de rua, prostitutas e viciados da região. “Não há nenhuma novidade no que faço”, minimiza. “Só sigo aquilo que Jesus mandou. O mais importante dessa obra sempre será o amor”, frisa.

Pioneira na região, a Comunidade Evangélica Nova Aurora (Missão Cena) compartilha o amor de Deus com os excluídos desde 1987. Tudo começou em uma borracharia da Rua Aurora, conhecida zona de prostituição do centro ca capital paulista, onde o pastor Nivaldo Nassif fazia cultos às sexta-feiras. “Era a chamada Noite de Paz’” conta o missionário João Antonio, o Jota. Com a chegada de voluntários americanos, suíços e alemães, o projeto foi crescendo e ganhando novas áreas de atuação, junto a crianças e adolescentes em situação de risco e prostitutas. E, em 1991, a missão foi fundada oficialmente, contando com uma sede na Avenida General Osório, a conhecida Casa Amarela, e um terreno em Juquitiba, onde funciona o centro de reabilitação Fazenda Nova Aurora.

Na Casa Amarela, prostitutas, travestis, meninos de rua e viciados recebem atendimento médico e odontológico, assistência jurídica, comida, banho e roupa. E também ouvem a palavra transformadora do Evangelho. Os dependentes químicos têm a oportunidade de serem encaminhados para atendimento especializado e, se assim desejarem, receber a Cristo como Senhor e Salvador. À noite, os missionários saem pelas ruas para conversar com os usuários de crack e lembrar-lhes que é possível mudar. “É preciso cuidar daqueles que já caíram no vício, mas também de quem corre o risco de entrar nessa. Por isso, na Casa, temos atividades com jovens e crianças que moram nos prédios da região”, diz Jota.

Adrenalina fatal

Essas iniciativas mostram que, se há muitas pedras no caminho, há também cada vez mais mãos dispostas a remove-las e a cuidar das feridas de quem foi machucado pela vida. “Primeiro, precisamos oferecer esperança, para depois construir o conceito de fé”, defende o pastor Junior Souza, da Vineyard, igreja focada em missões urbanas. E é preciso admitir que o processo de libertação nem sempre é rápido ou sem recaídas. “E isso muitas vezes acontece porque a igreja e as famílias não estão preparadas para receber essas pessoas, mesmo quando já não consomem drogas”, diz Ricardo. Uma estatística impressiona: segundo levantamentos das entidades cristãs que atuam com este segmento, cerca de 70% das vítimas do crack já frequentaram ou ao menos tiveram algum envolvimento com igrejas evangélicas.

Benedito, homem na casa dos 30 anos, de estatura média e extremamente amável, sentiu isso na pele. “Fui internado três vezes. Numa delas, fui batizado e arrumei um emprego. Mas, quando saí da casa de reabilitação, não tinha ninguém realmente ao meu lado, toda a minha história estava vinculada à droga”, relata. “Acabei usando o meu primeiro salário, de R$ 700, para ficar durante meses na Cracolândia”. Na quarta internação, parou para pensar no que havia ganho durante os sete anos em que viveu de maneira praticamente exclusiva para o vício. “Percebi que só perdi emprego, família e dignidade”, conta, com a voz embargada. “Com a ajuda dos irmãos e com força de vontade, decidi que não iria mais cair nessa armadilha do diabo. Hoje posso passar no meio das pessoas consumindo crack sem me entregar à vontade de usar. Deus trabalhou no meu espírito, o que supera qualquer desejo físico.”

Não é fácil ignorar as seqüelas da droga no corpo, mesmo quando ela não está mais presente na vida do ex-viciado. “Dizem que o efeito do crack é como o de oito orgasmos em, no máximo, doze segundos” conta Ricardo, que atua na Missão Cena. Isso pode é biologicamente explicado porque o conjunto de substâncias contidas na pedra atua com a dopamina, neurotransmissor químico responsável pelas respostas do corpo ao prazer. Com isso, ao usar a droga, o viciado fica mais agitado e, consequentemente, libera mais adrenalina, o que, em alguns, casos pode se fatal, levando a um infarto. Como o prazer e agitação são extremamente efêmeros e passageiros, em poucos segundos o usuário está desanimado, depressivo e com náusea, o que desperta a “fissura”, ou seja, a busca incessante pela próxima dose.

Apesar das consequências nocivas ao corpo, a questão principal não é essa. “A maioria das pessoas que usam drogas, sejam lícitas ou ilícitas, não tem problemas de saúde e nem precisam ser tratadas por conta disso”, diz o médico Raul Gorayeb, ex-coordenador do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) do Centro de São Paulo. Gorayeb foi afastado do cargo em fevereiro deste ano por discordar dos métodos do órgão oficial. “Para cuidar dessas pessoas, nós não temos que internar, mas sim ganhar a confiança delas, levar para um abrigo e verificar a existência de vínculos familiares”, explica.

É nessa lacuna que os obreiros evangélicos atuam: “Ganhamos muito respeito por parte dos órgãos públicos que trabalham na região, porque nos relacionamos com os usuários e não apenas os ‘atendemos’ ou ‘abordamos’, como se diz”, aponta a pastora Neldecy. Em todas as missões, a base da atuação é o diálogo e a aproximação com os dependentes, que, depois de pouco tempo, reconhecem nos missionários pessoas em que podem confiar. “A igreja, muitas vezes, tem que fazer o papel da família, cuidar das ovelhas”, defende Ricardo, da Cristolândia. E em uma coisa todos concordam: é preciso de fato ver essas pessoas, e não simplesmente encará-las como parte de um cenário triste.

Para saber mais sobre o trabalho evangélico na Cracolândia, você pode entrar no site da Missão Cena (www.missaocena.com.br), acompanhar o twitter do projeto Retorno (@projetoretorno) ou ligar para lá (11/3371-1264) e visitar a Cristolândia (Alameda Barão de Piracicaba, 509, Luz; aberta todos os dias das 9h às 21h). Há campanhas muito interessantes contra o crack encabeçadas pela Secretária da Saúde (www.nuncaexperimenteocrack.com.br) e pelo Grupo RBS (www.cracknempensar.com.br) também.

Fonte: Cristianismo Hoje

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